sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Calor, exercício e hidratação

Nós, humanos, somos seres homeotermos, ou seja, mantemos nossa temperatura corporal constante independente da temperatura do ambiente. Quem já usou um termômetro sabe que essa tal temperatura ideal fica por volta dos 36,5° C. Mais do que isso é uma ameaça, e menos, bem... menos não é nada bom. Mas você já se perguntou sobre como é que nosso corpo mantém a mesma temperatura interna independente se aqui fora estiver zero ou 40 graus?

A verdade é que ele tem que trabalhar muito para manter esse equilíbrio, especialmente em situações como a que estamos passando agora, de um verão muito quente. A capacidade de manter a temperatura interna constante reflete um equilíbrio meticuloso entre a produção (metabolismo e ambiente) e a perda de calor. Maior atenção ainda deve ser dada durante o exercício em ambientes quentes, quando o metabolismo se acelera e produz ainda mais calor. Neste caso é a evaporação o principal método de eliminação do excesso de calor corporal. Ela é responsável por quase 80% da perda total de calor quando você se encontra fisicamente ativo.

Por sorte, nosso organismo é bem esperto e, conforme o calor interno aumenta, ele põe pra trabalhar as quase quatro milhões de glândulas sudoríparas que possuímos, fazendo com que coloquemos pra fora muito suor. Se ainda assim, o risco de colapso estiver muito grande, ele vai deixar as sutilezas de lado e provocar bastante dor, fadiga, cãibras, tontura e desmaio, até que você pare de exigir do seu corpo mais do que ele está conseguindo aguentar.

Fugir dos horários em que o sol está mais quente, como das 10h às 16h, hidratar-se bem ao longo do dia e redobrar a atenção durante o exercício, são cuidados básicos que todos tem que ter antes de calçar o par de tênis. Hidratar-se, aliás, é uma recomendação já velha e conhecida, mas frequentemente ignorada. A ingestão de líquidos deve ocorrer antes, durante e após os exercício; e os famosos dois litros de água diariamente são realmente importantes. Isso porque em um dia o corpo de um adulto gasta aproximadamente 2 litros de água em funções como digestão, respiração, transformação dos nutrientes em energia e também no suor e na urina. Sem água, o volume de sangue diminui e a pressão arterial cai, o que gera fraqueza, tontura, palidez e desmaio (de novo ele). Há variações entre o metabolismo e o nível de atividade física de cada um, mas ingerir uma quantidade próxima a isso é seguro e evita todo esse mal estar.

E por último, vamos imaginar a cena daquele garoto forte correndo sem camiseta num dia muito quente. Lá vai ele, suando em bicas. Tenho certeza que você já viu essa cena. Será que se exercitar sem camiseta ameniza o calor e o garotão está fazendo a coisa certa? A resposta é não, ele está errado. Expor a pele diretamente aos raios do sol esquenta ainda mais. E se ele estivesse usando uma camiseta leve e de cor clara, especialmente aquelas de tecidos inteligentes, sofreria bem menos. Com a camiseta, os pingos de suor não ficam escorrendo tanto pelo corpo, o que facilita a evaporação e acelera o processo de resfriamento do organismo.

Como podemos perceber, nosso corpo é como uma balança que precisa estar sempre em equilíbrio. Em situações normais, alcançá-lo é fácil, mas em algumas condições o organismo tem que abrir mão de seus inúmeros artifícios para continuar em bom funcionamento. Ajudá-lo e sofrer menos com os incômodos que o ambiente gera, depende da nossa atenção e cuidado constante.


Fabrícia Daniela Martins Almeida

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